11 ações pagam dividendos acima do CDI com a nova Selic a 14,50%; veja quais

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11 ações pagam dividendos acima do CDI com a nova Selic a 14,50%; veja quais

Mesmo com um novo corte de juros pelo Banco Central, bater o CDI com dividendos na bolsa continua sendo tarefa difícil. Com a Selic reduzida a 14,50% ao ano pelo Comitê de Política Monetária (Copom), a referência da renda passa a girar em torno de 14,40% ao ano, restando 11 ações com dividend yield (DY) acima desse patamar.

Levantamento feito pelo InfoMoney com dados da Economatica considera papéis presentes no Ibovespa, no Índice de Dividendos (Idiv) e no Índice Brasil 100 (IBrX 100), e utiliza como base o DY calculado sobre o preço atual das ações com os proventos distribuídos nos últimos 12 meses.

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O número projetado assume que a política de dividendos e os lucros das empresas se mantenham no mesmo nível nos próximos 12 meses, o que não é garantido, especialmente nas três maiores pagadoras da lista.

Ações com DY acima do CDI com Selic a 14,50%

As maiores pagadoras e seus sinais de alerta

A Grendene (GRND3) lidera a lista com DY projetado de 35,15%, mas o número é fortemente influenciado por distribuições extraordinárias. Em dezembro de 2025, a fabricante de calçados aprovava quase R$ 980 milhões em dividendos extraordinários, equivalentes a R$ 1,0862 por ação, pagos em quatro parcelas ao longo de 2026. O payout do exercício superou 170% do lucro líquido, bem acima da média histórica da companhia, que gira em torno de 80%. Descontados os eventos extraordinários, o DY recorrente da Grendene historicamente fica na faixa de 6% a 8% ao ano.

A Vulcabras (VULC3), segunda colocada, também teve 2025 marcado por distribuições excepcionais, em parte motivadas pela antecipação da tributação de dividendos que entrou em vigor neste ano. A empresa distribuiu mais de R$ 1,5 bilhão em proventos, encerrando o exercício com dívida líquida equivalente a 0,9 vez o Ebitda. O CFO da companhia declarou que a prioridade em 2026 é a amortização de dívidas de curto prazo, e que a retomada de uma política mais ativa de dividendos deve ocorrer a partir de 2027. Neste ano, a empresa também reduziu o dividendo mínimo obrigatório de 25% para 1% do lucro líquido.

A Syn Prop Tec (SYNE3), terceira na lista, é um caso ainda mais atípico: o DY elevado nos últimos dois anos não reflete resultado operacional recorrente, mas sim a combinação de vendas de ativos imobiliários e reduções de capital, mecanismo pelo qual a empresa devolve ao acionista o capital considerado excedente às suas operações. Em 2024, o DY chegou a superar o próprio valor de mercado da ação. Em 2025, a companhia realizou nova redução de capital de R$ 330 milhões, e o último provento pago foi de R$ 0,42 por ação em dezembro. Até o momento, nenhum dividendo foi anunciado para 2026.

Como olhar além do DY

Para quem considera ações como fonte de renda, o DY histórico é ponto de partida, não de chegada. Antes de tomar qualquer decisão, o investidor deve avaliar:

  • A consistência dos pagamentos;
  • a geração de caixa das empresas;
  • e a sustentabilidade do payout.

Empresas com modelos de negócio estáveis, margens operacionais consistentes e baixo endividamento tendem a oferecer maior previsibilidade nos proventos, mesmo que o DY nominal seja inferior ao das primeiras da lista.

Vale observar ainda que o retorno com dividendos não inclui a variação da cotação. Papéis como AUAU3 e MBRF3, por exemplo, entregaram DY acima do CDI nos últimos 12 meses, mas registraram perdas de capital no período, o que pode zerar ou até inverter o retorno total para o investidor que precisar desfazer a posição.

As mais indicadas pelas corretoras nem chegam perto do CDI

A contradição mais reveladora está justamente na comparação entre as maiores pagadoras de proventos e as mais recomendadas pelos analistas. Levantamento do InfoMoney com as carteiras de dividendos de dez corretoras apurou as cinco ações mais indicadas para abril: nenhuma delas aparece na lista que bateria o CDI.

Allos (ALOS3) e Petrobras (PETR4) lideram as recomendações, com seis indicações cada. A Allos chama atenção por sua nova política de dividendos mensais, sustentada por R$ 2,1 bilhões em reservas e com previsibilidade garantida até 2028, segundo a Ágora Investimentos. Já a Petrobras se apoia em baixo custo de extração e forte geração de caixa para manter proventos relevantes, na avaliação da Terra Investimentos. As demais escolhidas são Axia (AXIA3), Bradesco (BBDC4) e Copel (CPLE6).

O DY dessas cinco empresas vai de 8,74%, no caso da Petrobras, a 12,85%, no da Copel, todos abaixo do CDI. Para os analistas, isso não é um problema, porque o critério que justifica a indicação não é maximizar o yield corrente, mas garantir consistência de pagamento e solidez operacional no médio e longo prazo.

Um DY que bate o CDI frequentemente sinaliza uma distribuição que não se repetirá, enquanto um yield menor e recorrente tende a compor melhor o retorno total do investidor ao longo do tempo.

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