Anbima: Número de investidores no Brasil cresce 31% em 5 anos e atinge 60,6 milhões

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Anbima: Número de investidores no Brasil cresce 31% em 5 anos e atinge 60,6 milhões

O Brasil encerrou 2025 com 60,6 milhões de pessoas investidoras, o equivalente a 36% da população adulta, segundo o Raio X do Investidor Brasileiro, pesquisa anual realizada pela Anbima em parceria com o Datafolha e divulgada nesta quinta-feira (23). O número representa avanço em relação aos 31% registrados em 2021, mas ainda deixa 107,7 milhões de brasileiros fora do mercado de produtos financeiros.

A pesquisa, em sua 9ª edição, ouviu 5.832 pessoas com 16 anos ou mais nas cinco regiões do país entre 4 e 21 de novembro de 2025. Os dados mapeiam desde hábitos de poupança até o impacto das apostas online e do uso de inteligência artificial nas decisões financeiras.

O avanço nos últimos cinco anos é gradual, mas consistente em múltiplas frentes. A parcela de brasileiros que conseguiu economizar algum dinheiro ao longo do ano subiu de 27% em 2021 para 33% em 2025, enquanto a fatia dos que realizaram algum tipo de investimento no período atingiu o maior patamar da série histórica, chegando a 24% ante 18% de quatro anos atrás.

Entre quem já investe em produtos financeiros, a poupança ainda é o ativo mais utilizado, mas perdeu espaço significativo, caindo de 75% para 61% dos investidores em cinco anos. Essa retração foi compensada pelo avanço dos títulos privados, como CDB e letras de crédito, que passaram de 8% para 20% no mesmo intervalo, e dos fundos de investimentos, que foram de 9% para 14%.

O conhecimento espontâneo sobre produtos financeiros também atingiu um pico histórico em 2025: 43% da população afirmam conhecer algum tipo de investimento sem precisar de uma lista de opções, ante 28% em 2021.

Apesar dos avanços, o quadro geral ainda é de maioria não investidora. Entre os 64% que não aplicam em produtos financeiros, 82% apontam condições financeiras desfavoráveis como principal razão para não guardar dinheiro, número que era de 75% em 2021. A percepção de que falta dinheiro, especificamente, cresceu de 60% para 67% no período.

O estudo projeta um saldo de 8,7 milhões de novos investidores em 2026, caso as intenções declaradas se concretizem. Segundo a Anbima, 23,2 milhões de não investidores afirmam que pretendem começar a aplicar em produtos financeiros no ano, enquanto 14,5 milhões de investidores atuais indicam intenção de deixar de investir. A própria pesquisa, no entanto, alerta para a tendência natural ao otimismo entre os entrevistados, recomendando cautela na leitura das expectativas.

A digitalização do acesso aos investimentos avança em paralelo. A proporção de investidores que realiza aplicações por meios online subiu de 49% para 63% em cinco anos, enquanto a preferência por ir pessoalmente ao banco caiu de 43% para 32%. Entre as novidades mapeadas pela edição de 2025 está o uso de assistentes de inteligência artificial para buscar informações sobre produtos financeiros, adotado por 9% dos investidores, percentual que já supera canais como Facebook, e-mail, TikTok e rádio.

O estudo também revela que o estresse financeiro permanece elevado e disseminado: 47% da população apresenta alto nível de estresse com as finanças e outros 48% têm estresse moderado, com apenas 5% em situação de baixo estresse.

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