Anbima quer mostrar à população que mercado de capitais vai além da Faria Lima

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Anbima quer mostrar à população que mercado de capitais vai além da Faria Lima

Pela primeira vez, a Associação Brasileira das Entidades dos Mercados Financeiro e de Capitais (Anbima) fará uma campanha para divulgar o mercado de capitais para a população. A campanha começará em 22 de abril com vídeos e peças em rádio, televisão, podcasts e em sites e veículos de comunicação.

Segundo a Anbima, haverá também anúncios em ônibus e metrô. A entidade, que reúne gestores de recursos, fundos e bancos de investimento, quer mostrar a importância do mercado de capitais para o público em geral e para a economia do país, afastando também preconceitos sobre o funcionamento do mercado.

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A proposta começa pelo tema “Muito além da Faria Lima – o mercado de capitais que move o Brasil”, numa referência à região que virou o centro do mercado financeiro brasileiro e que costuma ser vista de forma pejorativa por parte da opinião pública.

Sgundo Carlos André, presidente da Anbima, o objetivo é a valorização e a aproximação da população com o mercado de capitais e inclui, além da campanha publicitária, uma série de iniciativas da entidade para tratar de temas que mexem com o interesse do investidor.

“Estamos discutindo em nossos fóruns avanços em temas relacionados com a centralidade do investidor, como aumento da transparência, do suitability e do conceito do Melhor Interesse do Investidor”, afirmou André, em entrevista coletiva para o lançamento da campanha.

Mais opções de ETFs

As iniciativas também incluem ações para alinhar os interesses dos distribuidores e investidores no âmbito da autorregulação, disse André. Haverá ainda um trabalho para simplificar a linguagem e terminologia dos materiais usados nas operações de mercado, como o prospecto de ofertas públicas mais simplificado e mesmo a nomenclatura dos fundos de investimento.

Haverá ainda esforços para aperfeiçoar produtos que ganharam popularidade mais recentemente, como os fundos com cotas negociadas em bolsa, os ETF, com o lançamento de carteiras ativas, e não só passivas como hoje, pleito que já está em análise na Comissão de Valores Mobiliários (CVM). “Alguns temas não dependem só de nós, mas também dos reguladores”, lembra o presidente da Anbima.

FIPs para varejo

André cita também a proposta de permitir que investidores de varejo tenham acesso a fundos de investimento em participações, os FIPs, que compram fatias de empresas fechadas, hoje liberados apenas para investidores qualificados.

E também trabalhar para aperfeiçoar os modelos de distribuição de investimentos nos mercados.

Zeca Doherty, diretor executivo da Anbima, observa que a campanha foi incluída pela primeira vez no planejamento estratégico da entidade, buscando mostrar para o investidor a importância do mercado de capitais na economia e na vida das pessoas. O lançamento ocorre em um momento estratégico, observa Carlos André, diante da campanha eleitoral deste ano, e deve ajudar a entidade a levar suas propostas e mostrar a importância do mercado de capitais para os candidatos não só ao Executivo como ao Legislativo.

Bons resultados com fundos

A campanha para o mercado de capitais vem na esteira de outra feita no ano passado para popularizar os fundos de investimento, a “No Fundo Você Pode”, afirma Amanda Brum, diretora de Marketing da Anbima. A campanha teve 925 milhões de impactos e obteve 86% de engajamento, o que animou a entidade a investir em uma campanha mais ampla. A Anbima não informou quanto será investido na campanha.

A proposta inclui, além da campanha em si, uma pesquisa encomendada ao Instituto Nexus em todo o país para avaliar o que a população sabe sobre o mercado de capitais. e que será refeita após o fim das exibições. Haverá um intervalo durante a Copa do Mundo e depois a campanha será retomada até o fim do ano.

Linguagem acessível

Amanda destaca a preocupação em evitar os termos técnicos usados pelo mercado que muitas vezes dificultam a compreensão do público em geral. “Queremos usar uma linguagem que a população entenda, por exemplo, mostrar que o investimento em infraestrutura foi o que permitiu construir a ponte que vai reduzir em meia hora o tempo de viagem da trabalhadora, que poderá chegar mais cedo em casa para ficar com a família”, diz.

Millenniums e Geração Z

A campanha vai ter como público foco os Millenniums, nascidos entre 1981 e 1986, e a Geração Z, nascidos entre 1995 e 2009, que seriam mais abertos a receber informações novas e têm maior capacidade de amplifica-las. Nos vídeos, serão abordados vários temas, mostrando a importância do mercado de capitais para financiar o empreendedorismo, com fundos que compram recebíveis de pequenos lojistas, ou como o financiamento de projetos ajuda na economia e na geração de empregos.

Temas de interesse da população

Haverá peças voltadas também para mostrar como o mercado de capitais financia o agronegócio e o mercado imobiliário, com certificados de recebíveis e fundos. Amanda explica que a campanha atual não terá o foco em educação financeira, mas mais em mostrar a importância do mercado de capitais para o país. Ela lembra que a Anbima desenvolve inúmeras iniciativas de educação financeira para a população.

“Provavelmente essa não será única iniciativa para fechar o gap entre a população e o mercado, mas a campanha, combinada com as iniciativas de educação financeira melhoram bastante”, afirma Carlos André. “E quando você começa a sensibilizar a população, há um efeito colateral positivo, pois você começa a sensibilizar os representantes da sociedade no Poder Legislativo, e isso vai gerando um círculo virtuoso de compreensão e incorporação desses temas nas discussões que temos em Brasília”, acrescenta.   

A campanha da Anbima chega em um momento delicado para o mercado de capitais, em meio às denúncias envolvendo o uso de fundos pelo Banco Master para cometer irregularidades. Segundo André, já havia o planejamento da campanha antes do Master e, mesmo sem relação com o caso, a campanha “servirá para mostrar que o que se tem no mercado de capitais é muito mais que qualquer caso isolado, ao explicar o tamanho e a relevância dele para a economia, independente da questão que esteja dominando o noticiário”, afirma.

“Ao melhorar a percepção e o conhecimento do tema por parte da população em geral, isso gera um efeito positivo, de que o mercado não é só o caso que está nos noticiários”.       

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