Após turbulências, Nissan aposta na “velocidade chinesa” para voltar a ficar de pé

(Bloomberg) — A Nissan Motor Co. está contando com a China para reverter sua sorte depois que ventos contrários nos EUA e no Japão deixaram a montadora em busca de uma forma de recuperar o equilíbrio.
A montadora japonesa está avançando com um plano de crescimento para a China que prevê vendas anuais chegando a 1 milhão de carros até o fim da década e, além disso, a exportação de centenas de milhares de veículos para outras partes do mundo a partir de fábricas no país.
A Nissan, que saiu na frente na China ao fechar uma parceria com a Dongfeng Motor Group Co. em 2003 e teve sucesso com o sedã Sylphy, viu seu volume de vendas cair quase pela metade depois que as novatas de veículos elétricos do país conquistaram os consumidores. Ainda assim, a Nissan aposta que o know-how e os relacionamentos desenvolvidos ao longo de duas décadas ainda lhe darão uma vantagem.
“A velocidade da mudança não para de aumentar”, disse Stephen Ma, chefe das operações da Nissan na China, em entrevista na sexta-feira, no Salão do Automóvel de Pequim.
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É um plano ambicioso, dado o quão rapidamente marcas dos EUA, da Europa e do Japão perderam terreno para a concorrência local. Ainda assim, sobreviver na China contra todas as probabilidades pode ser a melhor chance de recuperação da Nissan, após uma linha de produtos envelhecida e a turbulência na gestão depois da prisão, em 2018, do ex-presidente Carlos Ghosn terem dificultado a expansão das vendas.
Ma disse que a Nissan está conseguindo acompanhar os chineses, tendo levado dois anos para desenvolver cada modelo de sua linha mais recente, enquanto marcas tradicionais normalmente precisam de 4 a 5 anos. “24 meses já é velocidade chinesa”, afirmou.
BYD Co., Geely Automobile Holdings Ltd. e outras fabricantes locais de veículos elétricos reduziram de forma dramática o tempo necessário para conceber, desenvolver e lançar no mercado novos carros elétricos com softwares sofisticados.
As vendas da Nissan na China cresceram pela primeira vez em sete anos no último ano fiscal, segundo Ma, avançando 4,5% no segundo semestre em relação ao ano anterior. A Nissan planeja lançar mais cinco modelos no país dentro de um ano, o que completará a linha prometida no ano passado, que incluía 10 carros totalmente novos, indo de sedãs 100% elétricos a picapes híbridas plug-in.
Além de vender 1 milhão de carros por ano na China até 2030, o presidente-executivo (CEO) Ivan Espinosa disse que a meta é exportar veículos fabricados na China — 100 mil unidades inicialmente e, depois, 300 mil — para outros mercados, uma estratégia que não havia sido adotada antes.
O sedã elétrico N7 será enviado para a América Latina e o Sudeste Asiático, e o utilitário Frontier Pro será vendido nessas duas regiões, além do Oriente Médio. Seu modelo mais recente, o NX8, também será exportado em breve, mas os executivos não quiseram comentar para quais mercados.
No início de abril, a Nissan apresentou uma ampla reformulação de sua linha de produtos envelhecida e traçou novas metas de vendas para os EUA e a China. Espinosa disse que a montadora planeja reduzir o número de modelos de 56 para 45 e concentrar 80% do volume em três principais “famílias” de veículos construídas sobre plataformas compartilhadas.
“Aprendemos a lição sobre como sobreviver na China”, disse Isao Sekiguchi, executivo da Nissan e diretor-gerente da Dongfeng Nissan Passenger Vehicle Company.
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