Brasil reúne “nove vidas” favoráveis e é principal aposta do BBI na América Latina

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Brasil reúne “nove vidas” favoráveis e é principal aposta do BBI na América Latina

Máximas atrás de máximas e expectativas por mais. Na visão do Bradesco BBI, o mercado acionário brasileiro atravessa um momento singular, impulsionado por uma rara combinação de vetores globais e domésticos que ainda têm espaço para evoluir.

A equipe de estratégia do banco avalia que o Brasil reúne “nove vidas” — um conjunto de fatores que vai desde a rotação global para mercados emergentes até catalisadores locais, como o ciclo de queda de juros e o cenário eleitoral. Assim, o banco mantém recomendação overweight (exposição acima da média do mercado, equivalente à compra) para o país em sua carteira na América Latina, sendo sua principal escolha na região.

De acordo com o relatório, esse pano de fundo contrasta com episódios recorrentes de mercados em queda no passado, quando o desempenho das ações era pressionado por deterioração fiscal, atrasos no início de ciclos de afrouxamento monetário ou choques climáticos. Agora, o cenário é outro: o Brasil se beneficia quase de forma única de fatores ligados aos emergentes, à geopolítica, ao macro global e a alavancas locais.

As “nove vidas” do Brasil são: 1) rotação global dos investidores; 2) baixa exposição dos investidores em emergentes; 3) valuation; 4) petróleo mais alto; 5) economia e mercado de ações “fechado”; 6) carry trade do câmbio; 7) déficit fiscal; 8) ciclo de taxa de juros e 9) eleições.

No eixo internacional, o Bradesco BBI destaca a rotação dos investidores globais, com maior apetite por mercados emergentes mais expostos a ações de valor e setores cíclicos. Nesse contexto, o Brasil se sobressai por ter baixa participação de tecnologia, grande exposição a commodities e um dos maiores diferenciais de juros do mundo, o que sustenta o fluxo de capital.

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Outro ponto central é pouco peso dos investidores globais em emergentes. Dentro desse universo, o Brasil se diferencia por ser um mercado grande, líquido e bem diversificado setorialmente. Mesmo após uma valorização relevante, o valuation segue atrativo, com múltiplos ainda descontados e uma retomada de lucros ocorrendo mais cedo do que o esperado, segundo o banco.

A geopolítica também joga a favor. O relatório avalia que o Brasil é duplamente beneficiado pela alta do petróleo, tanto do ponto de vista macroeconômico quanto para o mercado acionário. Além disso, o país está distante dos principais focos de tensão global e possui uma economia relativamente fechada, com baixa participação das exportações no PIB, o que reduz sua vulnerabilidade a choques externos.

No campo macroeconômico global, o banco aponta que a fraqueza do dólar e o aumento dos déficits fiscais ao redor do mundo criam ventos favoráveis adicionais. O real, por sua vez, se destaca como uma das moedas mais beneficiadas desse ambiente, combinando apreciação cambial e um dos maiores “carregos” globais.

Entre os fatores domésticos, o Bradesco BBI vê avanço na condução fiscal, com a nova regra ajudando a conter temores históricos ligados à sustentabilidade das contas públicas. O início do ciclo de queda de juros, a partir de um patamar elevado de 15%, é descrito como único, amplo e com impacto duplo — tanto sobre a economia quanto sobre os preços dos ativos.

O banco também enxerga opcionalidade no cenário eleitoral de outubro, tema relevante dado o peso elevado das estatais no mercado brasileiro e os níveis historicamente altos dos juros reais dos títulos indexados à inflação (NTN-Bs).

Diante desse conjunto de fatores, o Bradesco BBI avalia que a valorização do mercado brasileiro ainda tem fôlego.

Na carteira, o banco prioriza ações sensíveis a juros, como Localiza (RENT3), Cyrela (CYRE3), Assaí (ASAI3) e Rumo (RAIL3); empresas ligadas ao mercado de capitais, como BTG Pactual (BPAC11) e XP (BDR: XPBR31); estatais, com destaque para Banco do Brasil (BBAS3) e ação com “golden share” Vale (VALE3); além de nomes de crescimento secular que, segundo o banco, ficam à margem de ETFs, como Nubank (BDR: ROXO34) e MercadoLibre (BDR: MELI34).

Entre os principais riscos ao cenário, o relatório aponta uma possível reversão estrutural do dólar ou o retorno de temores ligados à dominância fiscal. Ainda assim, na avaliação do banco, o conjunto das “nove vidas” mantém o Brasil em posição de destaque entre os mercados emergentes. “O Brasil é nossa principal escolha na América Latina e acreditamos que sua valorização ainda tem fôlego”, avalia.

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