Celular por assinatura: pode sair mais barato do que comprar?

Assinar um celular em vez de comprá-lo segue um modelo parecido com o de streaming: o usuário paga uma mensalidade, usa o aparelho e devolve quando quiser trocar. Mas o que muda na prática, e para quem esse modelo realmente compensa, foi o tema da conversa do Podcast Canaltech desta terça-feira (21) com a diretora-geral da Leapfone, Stephanie Peart.
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O processo de contratação funciona como uma compra em e-commerce. O usuário escolhe o aparelho no site, passa por uma análise de crédito feita em segundo plano e recebe o celular em poucos dias.
A mensalidade já inclui cobertura para roubo, furto qualificado e danos físicos, inclusive quebra de tela. Em caso de dano, a empresa envia um aparelho substituto, e a franquia é de 2,5 mensalidades para danos físicos e de 4 mensalidades para roubo, com opção de parcelamento dentro da própria assinatura.
A diretora foi direta sobre os limites do modelo: "Eu não acho que assinar o celular é para todo mundo”. Quem compra à vista, usa o mesmo aparelho por vários anos e não se preocupa com revenda provavelmente sai melhor na compra direta.
A assinatura faz mais sentido para quem gosta de trocar anualmente, não quer administrar seguro separado ou não tem limite de crédito suficiente para financiar um aparelho de entrada.
Vantagem fiscal atrai empresas de médio porte
No segmento corporativo, o argumento principal é tributário: toda a mensalidade é 100% dedutível no Imposto de Renda para empresas no lucro real. Na compra, a dedução é distribuída em até cinco anos, prazo que frequentemente supera o ciclo real de uso do equipamento.
A Leapfone também oferece uma solução de BYOD (Bring Your Own Device). A empresa define um valor de subsídio mensal por colaborador e cada funcionário escolhe o aparelho no site dentro desse limite. Quem quiser um modelo mais caro, paga a diferença.
O catálogo inclui aparelhos novos e recondicionados, com a condição indicada no site. Peart afirmou que a procura pelos recondicionados supera a oferta disponível: "Tudo que tem de usado, sai”. O principal gargalo, segundo ela, é conseguir estoque suficiente para recondicionamento, reflexo de um mercado em que os aparelhos estão durando mais.
Globalmente, o segmento de smartphones usados e recondicionados foi estimado em US$ 59,38 bilhões em 2024 e deve alcançar US$ 75,43 bilhões até 2029, segundo a Mordor Intelligence. No Brasil, segundo Peart, o setor ainda está muito atrás de mercados como Europa e Estados Unidos.