Copel mantém estratégia de descontratação e avalia efeito de El Niño sobre preços

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Copel mantém estratégia de descontratação e avalia efeito de El Niño sobre preços

SÃO PAULO, 6 Mai (Reuters) – A Copel (CPLE3) manterá sua estratégia de operar com um balanço de energia descontratado para aproveitar momentos de alta dos preços de curto prazo, enquanto monitora eventuais impactos baixistas no mercado em decorrência de um forte El Niño previsto para o segundo semestre, disseram executivos da companhia elétrica nesta quarta-feira.

Em teleconferência para comentar o balanço trimestral, o CEO da Copel, Daniel Slaviero, ressaltou que a estratégia atual de comercialização de energia tem trazido bons resultados, diante de um ambiente mais desafiador e volátil para a operação do sistema elétrico brasileiro, com cortes de geração renovável e risco hidrológico (GSF, na sigla em inglês) mais elevados.

A empresa continuará operando mais descontratada em 2026 e nos dois anos à frente, evitando vender energia em contratos com prazos mais longos, que tendem a render preços menores dos que os do mercado de curto prazo, no qual a volatilidade intradiária é acentuada.

“A gente continua com o ‘pace’ muito em linha com o que foi feito no último trimestre, capturando os ‘spikes’ de preço, sem acelerar, mas também sem reduzir as vendas”, disse Rodolfo Lima, diretor da área de comercialização.

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Lima observou que há grandes chances de ocorrência de um forte fenômeno climático El Niño no segundo semestre, o que poderia trazer mais chuvas para o Sul do Brasil, com consequente pressão baixista sobre os preços de curto prazo.

Caso esse cenário se concretize, a empresa pode até mesmo aproveitar oportunidades de compra de energia, disse o CEO.

“Se eventualmente a intensidade do El Niño for acima do esperado e tiver um impacto de variação de preço muito grande para o segundo semestre ou em diante… eu diria que até abre oportunidade para nós comprarmos mais energia, aumentando eventuais posições ou fechando alguns ‘gaps’ trimestrais que possam haver pela curva do GSF”, afirmou Slaviero.

PREÇOS ALTOS E AVERSÃO A RISCO

Ainda na teleconferência, o CEO da Copel defendeu a manutenção dos atuais parâmetros de aversão a risco dos modelos de operação e precificação do setor elétrico no Brasil.

Segundo ele, os preços de energia, que estão em patamares mais altos e voláteis desde que o modelo se tornou mais avesso a risco, passaram a refletir efetivamente a realidade da operação do sistema brasileiro, com maior variabilidade da geração de diferentes fontes ao longo do dia.

Slaviero afirmou ainda que a região Sul do Brasil, onde uma escassez de chuvas levou os reservatórios das hidrelétricas ao limite mínimo operativo de 30% este ano, estaria em situação “ainda mais severa” se não fosse a operação atual, que está mais avessa a risco e dá mais peso a possíveis cenários de escassez hídrica.

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“Se não fosse isso, o Sul já estaria abaixo de 30%… os sinais de despacho, principalmente de térmicas, foram absolutamente importantes não só para a manutenção dos reservatórios, segurança do sistema, mas para que não haja um encarecimento (da energia) através de encargos”, disse.

O setor elétrico discute uma eventual mudança nesses parâmetros do modelo diante da forte repercussão sobre o mercado de comercialização de energia. Comercializadores independentes pedem uma alteração, afirmando que os preços de energia no Brasil ficaram “imprevisíveis”, o que impossibilita negociações de contratos no mercado livre.

OPORTUNIDADES NA DISTRIBUIÇÃO

A Copel fará uma “análise profunda” de eventuais oportunidades de aquisição de distribuidoras de energia, mas não há nada concreto sobre isso no momento, disse Slaviero.

“Se eventualmente isso vier a acontecer, é natural que a companhia possa fazer uma análise profunda e quanto mais próximo das nossas regiões, Sul, Sudeste, Centro-Oeste, evidentemente sempre tem algum tipo de sinergia e de conhecimento dessas regiões”, afirmou.

O CEO destacou que a companhia vai manter sua disciplina de alocação de capital e que irá avaliar não só negócios na distribuição, mas também em baterias, geração, transmissão e comercialização.

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