Dona do Snapchat demite 16% de todos seus empregados por conta da IA

A Snap Inc., empresa responsável pelo aplicativo Snapchat, anunciou na quarta-feira (15) a demissão de aproximadamente 1 mil funcionários, o que representa 16% de sua força de trabalho global.
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A justificativa principal para o layoff, segundo o CEO e cofundador Evan Spiegel, é a adoção de ferramentas de inteligência artificial (IA) para substituir trabalhos repetitivos e acelerar as operações da companhia.
A decisão foi comunicada por meio de um memorando aos funcionários, que se tornou público em um documento enviado à SEC (órgão regulador do mercado de capitais dos Estados Unidos).
De acordo com a empresa, a medida tem como objetivo reduzir os custos anuais em mais de US$ 500 milhões até o segundo semestre de 2026, e busca estabelecer um caminho claro para a lucratividade.
Spiegel afirmou que equipes menores já utilizam recursos de IA em iniciativas estratégicas, como a assinatura Snapchat+, a melhoria de desempenho da plataforma de anúncios e os ajustes de infraestrutura do Snap Lite. Os funcionários que permanecerem na empresa deverão focar no uso dessas tecnologias para aumentar a eficiência das entregas.
Além das demissões diretas, a Snap fechou cerca de 300 vagas de emprego que estavam abertas.
A reestruturação custará entre US$ 95 milhões e US$ 130 milhões em indenizações trabalhistas e encargos relacionados. Os funcionários afetados nos Estados Unidos receberão quatro meses de salário, cobertura de plano de saúde, aquisição de ações e suporte de transição.
Histórico de cortes e pressão de investidores
Apesar de contar com uma média de 474 milhões de usuários ativos diários, a Snap enfrenta dificuldades para se tornar lucrativa após 15 anos de operação. A empresa reportou um prejuízo líquido de US$ 460 milhões no balanço de 2025, mesmo com o aumento da receita para US$ 5,9 bilhões.
Essa dificuldade financeira atraiu a atenção de investidores ativistas. No início deste ano, a Irenic Capital Management adquiriu uma participação na empresa e enviou uma carta pública a Spiegel pressionando por mudanças. O fundo apontou que um investidor que colocou US$ 1 na abertura de capital da Snap, em 2017, teria o equivalente a apenas 23 centavos atualmente.
O corte anunciado nesta semana faz parte de uma sequência de reduções na companhia. A dona do Snapchat já havia reduzido 10% do seu quadro em 2024 (cerca de 530 pessoas), 3% no final de 2023 e promovido uma grande demissão de 20% do quadro de pessoal em 2022.
A estratégia da Snap de culpar a IA acompanha uma tendência de mercado. Executivos de outras companhias de tecnologia que realizaram cortes este ano, como Amazon, Meta e Block, também citaram o aumento da capacidade de ferramentas de inteligência artificial como fator decisivo para a redução de equipes.