Efeito ABB e “ventos contrários”: o que esperar do primeiro trimestre da WEG (WEGE3)

A WEG (WEGE3) divulga seu balanço financeiro do primeiro trimestre de 2026 (1T26) na próxima quarta-feira, 29 de abril, dentro de um cenário de forte volatilidade e projeções que passaram por mudanças recentes.
De acordo com análise da XP Investimentos, o mercado vive uma espécie de “cabo de guerra” nas expectativas: se por um lado as ações sofreram recentemente com dados setoriais fracos, por outro, a melhora nos números da concorrente suíça ABB e GE Vernova trouxe um fôlego renovado. Ainda assim, o relatório coloca em debate que o curto prazo ainda está “nublado” para a companhia brasileira.
“Embora o cenário de demanda sustente a tese de crescimento de médio prazo da WEG, defasagens de preços, tarifas e câmbio sugerem impactos positivos limitados no curto prazo”, diz o documento.
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A corretora aponta que o mercado de eletrificação segue robusto, mas a capacidade da WEG de transformar essa demanda em lucro líquido imediato no 1T26 é questionável, especialmente por conta de custos de matérias-primas ainda voláteis.
ABB e GE Vernova
A grande reviravolta nas projeções ocorreu após a divulgação dos dados da ABB, que sinalizou uma demanda por Transmissão e Distribuição (T&D) “robusta e bem diversificada”, segundo analistas da XP.
A companhia suíça registrou pedidos recordes em sua divisão de Motion (+9% anualmente) e um salto de 44% no segmento de Eletrificação, o que ajudou a dissipar parte do pessimismo que pairava sobre a WEG.
“Os resultados positivos de ABB e GE Vernova reforçam a forte demanda subjacente”, afirma a análise técnica da XP.
Já a GE Vernova reportou números ainda mais agressivos, com pedidos consolidados crescendo 71% em base orgânica. O destaque ficou para o segmento de data centers, que alcançou US$ 2,4 bilhões no trimestre, superando todo o volume de 2025.
Analistas ainda destacam que a companhia ressaltou que suas fábricas no Brasil e no México são fundamentais para atender esse volume, o que coloca a WEG em uma posição estratégica. Porém, é esperado que o repasse desses ganhos para o balanço do primeiro trimestre ainda sofra com atrasos operacionais.
Projeções
O otimismo vindo dos pares do exterior não são o suficiente para animar os analistas da XP Investimentos, que optam manter uma visão cautelosa para o primeiro trimestre dest eani.
A corretora projeta um trimestre mais fraco em termos de crescimento de receita líquida, citando a sazonalidade historicamente menos intensa do início do ano e a pressão negativa do câmbio. Outro ponto de atenção são as tarifas de importação, especialmente após as mudanças na Section 232 nos EUA, que afetaram as exportações de transformadores.
Outras instituições acompanham a opinião da XP. O JPMorgan inseriu a WEG em sua lista de “Observação de Catalisador Negativo” na última semana, ainda antes dos resultados da ABB.
Esse posicionamento do JPMorgan é uma resposta a premissa que os investidores estão “pagando antecipadamente” por uma recuperação que só virá em 2027. Os analistas acreditam que o potencial de queda é de entre 4% a 6%, tanto na receita líquida quanto Ebitda (lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização).
Os analistas do Itaú BBA acompanha essa visão, projetando igualmente uma queda na receita líquida anual, com margens Ebitda estáveis em 22,4%.
“Nossas estimativas incluem uma queda de receita de um dígito médio em relação ao ano anterior, impulsionada principalmente pelo fraco desempenho no mercado doméstico GTD devido a comparações difíceis”, diz o relatório do BBA.
O texto também destaca que a possibilidade da moeda brasileira 10% mais forte na base anual é o principal desafio para o faturamento vindo do exterior. A estimativa do banco é de um lucro líquido de R$ 1,6 bilhão, valor que ficaria praticamente estagnado em relação ao mesmo período do ano passado.
Além das questões de receita líquida e câmbio, o BTG Pactual pontua que a WEG pode sofrer com uma base de comparação mais forte, quando comparado a 2025. O recuo em projetos de geração solar, que foram vetores de crescimento muito fortes no ano passado, deve ser um dos principais detratores do faturamento neste início de ano.
Para os analistas da XP, a “missão” da WEG neste balanço será provar que consegue manter suas margens resilientes enquanto aguarda a entrada em operação de novas capacidades produtivas. O mercado espera que a reaceleração do crescimento ocorra de forma mais clara apenas a partir de 2027-2028, conforme as fábricas expandem seu volume.
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