EUA permitem que Venezuela pague advogado de Maduro em caso de tráfico de remédios

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EUA permitem que Venezuela pague advogado de Maduro em caso de tráfico de remédios

Os Estados Unidos ⁠concordaram em modificar suas sanções contra a Venezuela para ⁠permitir que o governo do país sul-americano pague o advogado de defesa ‌de Nicolás Maduro, recuando em uma restrição que ameaçava prejudicar o processo de tráfico de medicamentos contra o ex-presidente venezuelano, conforme mostrou um documento judicial ‌divulgado na sexta-feira (24).

Presos desde 3 de janeiro

Maduro, de 63 anos, e sua esposa, Cilia Flores, de 69, foram capturados em sua casa em Caracas por forças especiais americanas em 3 de janeiro e levados para Nova York para responder por acusações criminais, incluindo conspiração para narcoterrorismo. Eles se declararam inocentes e estão presos no Brooklyn aguardando julgamento.

Em fevereiro, o ⁠advogado ‌de Maduro, Barry Pollack, pediu ao juiz distrital norte-americano Alvin Hellerstein, de Manhattan, ⁠que rejeitasse o caso, alegando que as sanções dos EUA estavam impedindo o governo venezuelano de pagar seus honorários advocatícios.

Pollack afirmou que essa proibição equivalia a uma violação do direito de Maduro à assistência jurídica de sua escolha, garantido pela Constituição dos EUA.

Nem Maduro nem Flores têm condições de ​contratar advogados por conta própria, e o governo venezuelano está disposto a arcar com os honorários, afirmaram seus advogados.

Todos os réus em processos criminais nos ​EUA têm direitos constitucionais, independentemente de serem ou não cidadãos norte-americanos

Hellerstein afirmou em uma audiência judicial em 26 de março que não pretendia arquivar o caso, mas demonstrou ceticismo quanto à justificativa do governo para bloquear os pagamentos.

Segurança nacional

O promotor Kyle Wirshba afirmou em juízo que as sanções americanas que bloqueavam os ‌pagamentos eram baseadas em legítimos interesses de segurança nacional ​e política externa. Wirshba também disse que Hellerstein não podia ordenar ao Departamento do Treasury que modificasse as sanções, pois a política externa é de responsabilidade do Poder Executivo, e não do ⁠Judiciário.

Hellerstein observou que os EUA ​haviam relaxado as sanções ​contra a Venezuela desde a deposição de Maduro. As relações entre Caracas e Washington melhoraram desde que ⁠Delcy Rodríguez, ex-vice-presidente de Maduro, assumiu a ​liderança interina da Venezuela.

‘O réu está aqui, Flores está aqui. Eles não representam mais nenhuma ameaça à segurança nacional’, disse Hellerstein, um juiz nomeado pelo presidente democrata Bill Clinton. ‘O direito ​que está em questão, primordial em relação a outros direitos, é o direito à assistência jurídica constitucional.’

Sanções contra a Venezuela

Durante seu primeiro mandato na Casa ​Branca, o presidente dos ⁠EUA, Donald Trump, intensificou as sanções contra a Venezuela sob a alegação de que o governo de Maduro ⁠era corrupto e minava as instituições democráticas. Washington considerou fraudulenta a reeleição de Maduro em 2018.

Maduro rejeitou essas acusações, juntamente com as alegações de sua participação no tráfico de medicamentos, como justificativas pretextuais para o que ele chamou de desejo dos EUA de assumir o controle das vastas reservas de petróleo da nação sul-americana membro da ​OPEP.

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