EWZ, principal ETF americano de Brasil, tem maior captação diária desde 2017

Investidores direcionaram recursos ao fundo de ações brasileiras da BlackRock no ritmo mais intenso em quase nove anos na segunda-feira, impulsionados pela retomada do apetite global por risco e pela valorização da bolsa do país.
O iShares MSCI Brazil ETF (EWZ), com patrimônio de US$ 11,3 bilhões, recebeu mais de US$ 337 milhões em novos aportes — a maior captação diária desde maio de 2017. O fundo, o maior listado nos Estados Unidos com foco em ações brasileiras, acumula captações expressivas neste ano à medida que investidores buscam diversificar a exposição para além dos ativos americanos e ampliar a presença em mercados emergentes.
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“O Brasil atraiu fluxos estrangeiros relevantes porque os preços das commodities estão firmes, os juros reais são bastante elevados e a economia é relativamente isolada de uma alta no preço do petróleo, dado o baixo nível de dependência das importações”, afirmou Greg Lesko, gestor de portfólio da Deltec Asset Management. “Os estrangeiros lideraram a alta no Brasil, e a próxima perna deve ser sustentada pela participação local, à medida que juros mais baixos tornam as ações relativamente mais atraentes.”
Apostas na queda dos juros e na possibilidade de uma virada para políticas mais favoráveis ao mercado após as eleições presidenciais de outubro têm atraído investidores para a renda variável brasileira neste ano. No primeiro trimestre, o EWZ registrou mais de US$ 1,6 bilhão em entradas — a melhor captação trimestral desde 2009.
Embora a volatilidade elevada no último mês, em função do conflito no Oriente Médio, tenha levado muitos investidores a reduzir posições em risco, as ações brasileiras demonstraram resiliência: o EWZ recuou 0,9% em março, contra uma queda de 9,2% do iShares MSCI Emerging Markets ETF (EEM) no mesmo período.
Com os juros em trajetória de queda e as eleições se aproximando, o cenário se desenha favorável para o mercado acionário local.
“O Brasil está no ponto ideal”, disse Thea Jamison, diretora-executiva baseada em Nova York da Change Global Investment, gestora especializada em mercados emergentes. “A volatilidade elevada chama atenção para as oportunidades no Brasil, cuja economia é notavelmente resiliente, mesmo com juros reais anormalmente altos. Qualquer ciclo de afrouxamento seria um catalisador poderoso para as ações.”
©2026 Bloomberg L.P.
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