Governo lança guia que orienta comunicação com foco em “linguagem não sexista”

O governo federal publicou um guia voltado à comunicação institucional com foco na promoção da igualdade de gênero. Elaborado pelo Ministério das Mulheres, o material é direcionado a profissionais que atuam na administração pública e integra o Pacto Brasil contra o Feminicídio.
Com 54 páginas, o documento apresenta orientações sobre como estruturar mensagens, campanhas e conteúdos institucionais. A proposta central é que a comunicação estatal incorpore diretrizes que ampliem a visibilidade de mulheres e de outros grupos considerados sub-representados.
Entre as recomendações está o uso de linguagem classificada como “não sexista”. O guia sugere alternativas ao chamado masculino genérico, como o uso de termos neutros ou a menção simultânea a masculino e feminino em comunicações oficiais. Exemplos citados incluem substituições como “cidadãos” por “população” ou expressões que incluam ambos os gêneros.
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O texto também afirma que a comunicação pública tem impacto direto na formulação e na percepção de políticas públicas. “Não é possível transformar uma sociedade sem mexer no modo como ela se comunica”, diz um dos trechos do material. Em outro ponto, o documento sustenta que escolhas de linguagem e de abordagem já representam uma forma de atuação política dentro do Estado.
A cartilha é organizada em sete eixos que orientam a atuação comunicacional. Entre eles estão a promoção da igualdade, o uso de dados com recorte de gênero e raça, e a adoção da interseccionalidade como critério para construção de narrativas.
O documento também trata da responsabilidade na cobertura de casos de violência contra a mulher, indicando que o tema deve ser abordado como questão pública.
Outro ponto destacado é a ampliação da diversidade nas fontes e nas equipes de comunicação. O guia sugere que a pluralidade de perfis contribui para uma representação mais ampla da sociedade nos conteúdos institucionais. Também recomenda a criação de canais de escuta que permitam a participação de mulheres na formulação de políticas e na avaliação das ações governamentais.
O material defende que a revisão de padrões de linguagem faz parte de um processo mais amplo de mudança cultural. Segundo o documento, a predominância histórica do masculino como referência universal contribuiu para a invisibilização de outros grupos, e a comunicação pode atuar para reverter esse cenário.
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