Interrupção de negócios e preço de commodities lideram ranking de riscos no Brasil

A interrupção de negócios e o risco ligado ao preço de commodities, bem como a escassez de materiais, lideram o ranking de riscos corporativos no Brasil, segundo a Pesquisa Global de Gestão de Riscos 2026 da consultoria Aon, compartilhada em primeira mão com o InfoMoney.
O levantamento reúne a percepção de 2.941 executivos de 63 países e territórios, sendo 155 respondentes brasileiros. Mesmo tendo sido realizado antes do bloqueio ao Estreito de Ormuz, o estudo mostra um ambiente de negócios pressionado por fatores macroeconômicos e operacionais, especialmente em economias com forte base exportadora como é o caso do Brasil.
Nesse contexto, a dependência de rotas comerciais globais e de infraestrutura logística aparece como um ponto crítico, o que ajuda a explicar por que a interrupção de negócios ocupa a primeira posição no ranking nacional.
Outro destaque é a variação da taxa de câmbio, que aparece na 5ª posição entre os principais riscos no Brasil, mas não figura no top 10 global. O impacto é concreto: 67,4% das empresas brasileiras ouvidas relataram perdas financeiras associadas às flutuações cambiais nos últimos 12 meses.
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De acordo com Alexandre Jardim, head of Commercial Risk Solutions para o Brasil na Aon, o avanço dos riscos comerciais e operacionais mostra a volatilidade e incerteza crescentes do ambiente de negócios.
“Nesse cenário, a identificação estruturada dos riscos, aliada a estratégias eficazes de gestão e mitigação, deixou de ser apenas uma medida defensiva e passou a ser um diferencial competitivo. Empresas que fortalecem a resiliência de suas operações, especialmente em aspectos críticos como a cadeia de suprimentos, estão mais preparadas para enfrentar impactos e tomar decisões mais assertivas”, pontua Jardim.
Top 10 riscos atuais no Brasil vs. Global
Os riscos climáticos também ganham relevância no país. Mudanças climáticas e desastres naturais aparecem entre os dez principais riscos no Brasil, ocupando a 8ª e a 10ª posições, respectivamente, mas não figuram no ranking global atual. Isso sinaliza uma preocupação mais aguda no contexto local.
No campo digital, o risco cibernético ocupa a 3ª posição no Brasil, enquanto aparece em 1º lugar no ranking global. Ainda assim, o estudo aponta um nível baixo de preparação. Apenas 24,7% das empresas brasileiras têm planos estruturados para lidar com ataques ou vazamentos de dados.
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Riscos em ascensão
A pesquisa também indica mudanças na hierarquia de riscos nos próximos anos. Na projeção até 2028, o risco de preço de commodities assume a liderança, seguido de perto pelas mudanças climáticas e por fatores regulatórios. Essa perspectiva reforça a sensibilidade do mercado nacional às pressões inflacionárias sobre insumos e à agenda ambiental, fatores decisivos para setores como o agronegócio e a indústria.
Veja os principais riscos projetados para o Brasil nos próximos três anos:
- Preço de commodities e escassez de materiais
- Mudanças climáticas
- Mudanças regulatórias e legislativas
- Interrupção de negócios
- Variação da taxa de câmbio
Embora não apareça no top 10 brasileiro, a volatilidade geopolítica aparece no 9º lugar do ranking global, já indicando a preocupação mundial com esse tipo de risco, mesmo antes da intensificação de conflitos no Oriente Médio.
“A escalada do conflito se soma a um ambiente global já complexo. A instabilidade geopolítica continua sendo um dos riscos que mais crescem para as empresas, com impactos que podem se estender por energia, transporte, cadeias de suprimentos e até pela disponibilidade de seguros”, aponta Leonardo Coelho, CEO da Aon no Brasil.
Segundo ele, os efeitos já começaram a aparecer em setores como o marítimo e a aviação, com reprecificação de seguros, revisão de rotas e maior cautela operacional.
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