JPMorgan coloca WEG (WEGE3) em “observação negativa” e prevê resultado morno no 1T26

O JPMorgan incluiu as ações da WEG (WEGE3) em sua lista de “Negative Catalyst Watch” (observação de catalisador negativo) nesta quarta-feira (15). Essa mudança acontece pois os analistas enxergam que o mercado está pagando antecipadamente por uma recuperação que só deve se concretizar de forma em 2027.
Para os analistas, mesmo com a recente recuperação das ações, há um perfil de risco assimétrico para o papel, sendo um reflexo de um valuation atual de 32 vezes de Preço/Lucro (P/L) e 22 vezes o Valor Empresarial/Ebitda (Lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização) para 2026, “pois esperamos um primeiro trimestre morno com crescimento de receita sem brilho”, de acordo com o relatório.
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A recomendação das ações continua como neutra. Nesta quarta-feira (15), as ações da WEG caíam 42,0%, a R$ 49,72, às 16h50 (horário de Brasília).
Os analistas encontram a fundamentação para uma abordagem mais cautelosa nas métricas operacionais da empresa, que apontam para uma desaceleração no início deste ano, o que contrasta com o otimismo recente do mercado.
Segundo o relatório, os dados preliminares da Secretaria de Comércio Exterior (Secex) já indicam uma contração de 6% nas exportações da WEG no primeiro trimestre. Além disso, a valorização de 8% do Real no acumulado do ano projeta um impacto negativo no Ebitda anual.
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“Com base em nossos cálculos aproximados, o potencial de queda é significativo, entre -4% a -6% em termos de receita e Ebitda”, estima o relatório, considerando o câmbio atual de R$ 4,99 sobre o dólar.
Além disso, o banco pontua que P/L (preço/lucro) está 15% acima da média histórica, sinalizando que “o mercado já está pagando por uma recuperação que acontecerá principalmente em 2027”, quando a nova capacidade de transformadores deve começar a contribuir para os resultados.
Debate entre investidores
O relatório detalha que os argumentos atuais sobre a WEG dividem o mercado. Do lado otimista, a companhia está sendo vista por sua alta qualidade, beneficiada pela eletrificação, IA e o mercado de armazenamento de energia em baterias (BESS).
Mas o JPMorgan pensa que a “WEG não é um veículo viável para surfar uma potencial recuperação econômica brasileira”, uma vez que aproximadamente 60% de sua receita vem de fora do país.
Além disso, a instituição observa que, embora as margens possam surpreender positivamente no 1T26, o histórico é desfavorável. As ações caíram em cinco das últimas seis divulgações de resultados.
“A WEG também não é beneficiada pelo ciclo de queda de juros que se aproxima, já que a empresa é caixa líquido”, conclui o relatório, explicando que a ausência de dívidas impede que a queda da Selic reduza despesas financeiras de forma relevante.
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