Novo uso do FGTS, altos custos: o que faz construtoras caírem na B3 – e o que esperar

InfoMoney Tech
Novo uso do FGTS, altos custos: o que faz construtoras caírem na B3 – e o que esperar

As ações de incorporadoras voltadas ao segmento de baixa renda recuaram entre 5% e 9% na sessão de ontem (27), acumulando queda próxima de 30% a 40% em relação às máximas recentes, em meio à deterioração do cenário e ao aumento da aversão ao risco, destaca o Bradesco BBI. No Ibovespa, o destaque ficou com as ações da Cury (CURY3), que tiveram as maiores perdas ao registrarem baixa de 7,76%.

A principal notícia na última segunda-feira foi a do programa de renegociação de dívidas em elaboração pelo governo que, entre outras medidas, permitirá que trabalhadores usem parte do saldo do FGTS para quitar dívidas. O FGTS é uma importante fonte de financiamento do setor imobiliário, cujo índice na B3, que também inclui empresas de shopping centers, recuou 3,61%.

O movimento de queda recente das ações do setor também reflete a alta dos preços de petróleo e energia e a incerteza sobre a inflação da construção.

Para o BBI, o principal problema é visibilidade: a inflação de custos é difícil de projetar e os resultados do 1T26 (primeiro trimestre de 2026) pouco devem esclarecer esse tema, dado que o INCC-M acumulado em base anual ainda roda em 5,82%. No entanto, já surgem sinais iniciais de aceleração rumo ao 2T26 — o dado de abril do INCC-M subiu 1,04%, ante 0,36% em março — e um estudo preliminar da FGV aponta para um impacto potencial de 4 pontos percentuais (p.p.) no INCC cheio de 2026, cerca do dobro do que vem sendo incorporado atualmente nos orçamentos das companhias.

O contexto, desta forma, mantém uma pressão vendedora de curto prazo sobre as ações do setor e deixa os investidores defensivos, avalia o BBI.

Leia também

Ibovespa Hoje Ao Vivo: Confira o que movimenta Bolsa, Dólar e Juros nesta terça

Índices futuros dos EUA operam mistos

Ainda assim, os analistas veem amortecedores importantes frente a ciclos passados: câmbio mais forte; tetos de preço mais altos no programa Minha Casa, Minha Vida; orçamentos mais conservadores no pós-pandemia, que geram economias em projetos entregues hoje; e normalização dos níveis de pro-soluto, abrindo espaço para reprecificação de novos lançamentos.

O banco reforça que os impactos são desiguais entre as empresas, ainda que nenhuma esteja imune.

A avaliação é de que Direcional (DIRR3) e Tenda (TEND3) parecem melhor posicionadas, enquanto Cury e Plano & Plano (PLPL3) mostram maior exposição à pressão de custos, dado o volume mais elevado de receitas ainda não reconhecidas — o que os levou a revisões moderadas para baixo das estimativas da Cury para o fim de 2026 e 2027.

“O sentimento claramente piorou e o fluxo de notícias segue negativo, o que deve manter a dinâmica das ações do setor mais fraca no curto prazo, apesar de os valuations — na faixa de 5 a 7 vezes o lucro projetado (P/L) — sugerirem algum colchão de proteção”, avalia.

Assim, vê como ponto central não apenas a magnitude final do aumento de custos, mas a falta de clareza sobre eventuais revisões orçamentárias, o que tende a prolongar a cautela dos investidores.

Uma ponderação é que, diferentemente do choque pós-pandemia, o setor hoje conta com mecanismos de defesa relevantes, que reduzem o risco de uma deterioração abrupta e generalizada de resultados.

“Na ausência de um choque severo e persistente de custos, o movimento de queda observado pode se mostrar exagerado à frente. Ainda assim, se o noticiário negativo continuar intenso, pode levar alguns meses até que o mercado descarte totalmente o risco de um ajuste mais amplo nas expectativas de lucros no setor”, avalia. Desta forma, a equipe de análise tem postura cautelosa no curto prazo, com preferência relativa por nomes mais bem posicionados para absorver essa pressão de custos.

The post Novo uso do FGTS, altos custos: o que faz construtoras caírem na B3 – e o que esperar appeared first on InfoMoney.