NYT: O que está em jogo na nova briga entre Donald Trump e a Disney?

Andrew aqui. George Clooney, Rande Gerber e Mike Meldman entram em um bar… Parece o começo de uma piada, mas temos hoje uma exclusiva divertida sobre o novo empreendimento deles: uma marca de cerveja sem álcool. Dado o sucesso da última empresa de bebidas do trio, vale ficar de olho nessa.
Também estamos analisando a nova batalha entre a F.C.C. e a Disney, além dos desdobramentos mais recentes do julgamento envolvendo Elon Musk e a OpenAI.
A F.C.C. [ Comissão Federal de Comunicações, na sigla em inglês] atinge a Disney novamente
O governo Trump vem ameaçando, na prática, reprimir conteúdos que desagradem o presidente. Agora, parece estar cumprindo a promessa.
A medida extraordinária da F.C.C. de revisar as licenças de TV aberta da ABC pode ter poucas chances de prosperar nos tribunais. Mas é mais um aviso às gigantes corporativas — como a Disney, dona da ABC — de que supostos insultos ao governo podem sair caros.
O que está acontecendo: a F.C.C. está analisando se a Disney está apta a manter as licenças de oito emissoras de TV, incluindo em mercados como Nova York e Los Angeles. As licenças só vencem a partir de 2028, mas a F.C.C. pode legalmente exigir uma revisão a qualquer momento.
A medida surgiu em meio a uma disputa entre o presidente Trump e Jimmy Kimmel por causa de uma piada feita pelo apresentador de talk show antes do tiroteio ocorrido no fim de semana durante o jantar da Associação de Correspondentes da Casa Branca.
As chances de sucesso da F.C.C. provavelmente são pequenas:
- Revogar uma licença exige comprovar um padrão de violações sérias e repetidas. E a lei proíbe a F.C.C. de usar seu poder regulatório para censurar conteúdo.
- Da última vez em que a agência comprou briga com a Disney — também por causa de Kimmel —, a iniciativa não pegou bem, nem mesmo entre alguns republicanos.
- A Disney pode continuar operando as emissoras enquanto o processo regulatório segue seu curso, e pode recorrer de qualquer decisão desfavorável.
Mas o recado é o que pode importar. Brendan Carr, presidente da F.C.C., deixou claro que não pretende parar de escrutinar empresas de mídia por aquilo que considera cobertura tendenciosa. Essa ameaça já levou duas grandes operadoras de TV, Nexstar e Sinclair, a suspender temporariamente a exibição do programa de Kimmel. (Até agora, não há sinais de que isso vá acontecer desta vez.)
Dito isso, o governo continua mostrando, em múltiplos setores, que consegue tornar a vida mais difícil para quem cai em seu desagrado. Algumas empresas parecem estar ativamente tentando se manter na boa com Trump, especialmente quando têm negócios relevantes dependendo de reguladores.
É um teste para o novo CEO da Disney, Josh D’Amaro. Ele vem enfrentando vários desafios desde que assumiu o comando, seis semanas atrás. Mas este caso vai testar se ele é tão habilidoso politicamente quanto seu antecessor, Bob Iger.
Até agora, D’Amaro parece contar com o apoio do conselho da Disney. Mas a crise mais recente pode forçá-lo a tomar decisões difíceis sobre os negócios da companhia — incluindo avaliar se ainda faz sentido a empresa manter operações em TV aberta.
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AQUI ESTÁ O QUE ESTÁ ACONTECENDO
- Governo Trump estaria perto de uma trégua com a Anthropic. Autoridades estariam redigindo diretrizes que permitiriam a órgãos federais usar as ferramentas da empresa, incluindo o modelo Claude Mythos Preview, segundo a Axios. (Há meses, alguns integrantes do governo classificaram o laboratório de IA como “woke”.) Não está claro o que acontecerá com a disputa da Anthropic com o Pentágono, que corre na Justiça federal.
- Bill Ackman levanta US$ 5 bilhões em um IPO. A operação, precificada na faixa baixa da estimativa, levará à bolsa duas estruturas ligadas ao financista: a gestora do hedge fund Pershing Square Capital Management e um novo fundo fechado de investimento. O negócio realiza um objetivo antigo de Ackman, que já disse querer criar uma espécie de Berkshire Hathaway moderna.
- Montadoras estrangeiras ameaçam reter modelos baratos do mercado americano. Segundo o Wall Street Journal, a ameaça está ligada às pressões de empresas como a Nissan para alterar ou renovar o acordo de livre comércio entre EUA, México e Canadá, que o presidente Trump cogitou encerrar. Em outro front, carros chineses de baixo custo fazem sucesso a poucos quilômetros da fronteira do Texas com o México.
Exclusivo: a marca de cerveja de George Clooney levanta US$ 15 milhões
Casamigos, a última empresa de bebidas fundada por George Clooney, Rande Gerber e Mike Meldman, terminou em uma aquisição bilionária pela Diageo. Agora, investidores apostam no novo empreendimento do trio — no extremo oposto do espectro alcoólico.
A nova empresa deles, a marca de cerveja sem álcool Crazy Mountain, deve anunciar na quarta-feira que levantou US$ 15 milhões em uma rodada semente, conta em primeira mão Michael de la Merced.
O histórico: a Crazy Mountain foi lançada no mês passado como o mais recente projeto de Clooney; de Gerber, um empresário da hospitalidade casado com Cindy Crawford; e de Meldman, magnata do setor imobiliário.
O último empreendimento conjunto foi a Casamigos, que, segundo eles, começou como uma tequila “da casa” para ser servida em uma casa de férias de Clooney e Gerber no México. A marca acabou se tornando um destilado extremamente popular, comprado pela Diageo em 2017 por pelo menos US$ 700 milhões em dinheiro. Se a Casamigos atingir certas metas de vendas até o ano que vem, a Diageo pagará mais US$ 300 milhões.
A Crazy Mountain é uma aposta no boom das bebidas sem álcool. Os consumidores estão bebendo menos — as vendas de cerveja, vinho e destilados caíram nos últimos anos —, em meio a preocupações com saúde, custo e outros fatores. As bebidas não alcoólicas ainda representam uma fatia pequena da categoria total, mas analistas e executivos do setor estão atentos.
“Estamos construindo a Crazy Mountain para o modo como vivemos hoje, mantendo o ritual e a camaradagem de tomar uma gelada, só que sem o álcool”, disse Gerber em comunicado.
A marca já é vendida em mais de 25 estados e online.
Os detalhes da rodada: o aporte na Crazy Mountain foi liderado pela CAVU Consumer Partners, uma gestora focada em consumo. Também participaram a Coatue Management e a Discovery Land Company, de Meldman — ambas ajudaram a incubar o negócio.
“A cerveja sem álcool é uma das categorias mais promissoras em bebidas, e ainda está no começo”, disse Ben Schwerin, sócio da Coatue e membro do conselho da Crazy Mountain. O time fundador, acrescentou, é “o grupo certo para construir a marca mainstream definidora desse espaço.”
Clooney não é o único ator a entrar no segmento de cerveja sem álcool. Tom Holland, estrela dos filmes mais recentes do Homem-Aranha, da Marvel, lançou a marca BERO em 2024. Segundo reportagens, ela já levantou capital a uma avaliação superior a US$ 100 milhões.
As disputas da OpenAI dentro e fora dos tribunais
A fase judicial da briga entre Elon Musk e a OpenAI começou — e com ela vieram as trocas de farpas mais recentes entre o homem mais rico do mundo e o laboratório de inteligência artificial que ele ajudou a fundar em 2015.
Mas essa não é a única batalha da OpenAI no momento — e a que ocorre fora da Justiça federal pode ser a mais urgente.
“Este processo é muito simples: não é aceitável roubar uma entidade beneficente”, disse Musk na terça-feira, no banco das testemunhas. O bilionário acusou dois outros cofundadores da OpenAI, Sam Altman e Greg Brockman, de tentarem enriquecer de forma imprópria com o que nasceu como um laboratório de pesquisa em IA sem fins lucrativos.
(A juíza Yvonne Gonzalez Rogers disse ao júri que a visão de Musk “não tem valor legal algum”.)
Musk afirmou que seu processo é altruísta. Disse que ajudou a criar a OpenAI como contrapeso ao Google. Mas Altman e Brockman queriam transformar a OpenAI em uma empresa comercial, e ele deixou o projeto em 2018 após uma disputa de poder.
Um dos objetivos de Musk é desfazer a transformação da OpenAI em uma empresa com fins lucrativos — além de pedir US$ 150 bilhões em indenização, quantia que, segundo ele, seria doada ao braço filantrópico da OpenAI.
A briga não passa de “dor de cotovelo”, argumentou Bill Savitt, advogado da OpenAI. Musk teria tentado, sem sucesso, fazer a Tesla comprar a OpenAI — e saiu logo depois.
Além disso, de acordo com Savitt, Musk não parecia se importar com a OpenAI até 2022, quando o ChatGPT virou um fenômeno. (Mais tarde, Musk criou a xAI, que a SpaceX comprou neste ano a uma avaliação de US$ 250 bilhões.)
Silenciando Musk e Altman: a juíza pediu a ambos que evitassem se atacar nas redes sociais durante o julgamento. “Como podemos avançar sem que vocês piorem as coisas fora do tribunal?”, perguntou a Musk.
Os dois concordaram com uma trégua nas redes sociais.
A OpenAI enfrenta outra frente. As ações de empresas ligadas ao laboratório de IA caíram na terça-feira, após reportagem do Wall Street Journal apontar que a startup não teria alcançado metas internas de negócios. Papéis da Oracle recuaram 4%, enquanto os da CoreWeave, operadora de data centers, caíram 5,8%.
A OpenAI defendeu sua saúde financeira, dizendo que seus negócios estão “rodando em alta performance” e que ainda planeja investir pesado em data centers. (A empresa, no entanto, não negou ter ficado abaixo das metas de crescimento de usuários ou de receita.)
Alphabet, Amazon, Meta e Microsoft divulgam resultados após o fechamento do mercado na quarta-feira. Investidores vão querer detalhes sobre os gastos com IA e se já estão se traduzindo em retorno.
Foto do dia
O presidente Trump recebeu o rei Charles III em um jantar de Estado na Casa Branca ontem à noite, com a presença de magnatas, juízes da Suprema Corte e aliados e membros do governo Trump. O rei arrancou risadas com algumas piadas memoráveis e presenteou com um sino estampado com “TRUMP”.
Na lista de convidados: Jeff Bezos, fundador da Amazon; Tim Cook, CEO em fim de mandato da Apple; David Ellison, chefe da Paramount; e Steve Schwarzman, cofundador da Blackstone.
OPEP em xeque
Os preços do petróleo voltaram a subir nesta quarta-feira enquanto Washington e Teerã seguem em impasse sobre o Estreito de Ormuz. O confronto deve se prolongar, já que Trump aparentemente prefere um bloqueio duradouro dos portos iranianos.
Mas mudanças mais duradouras no mercado de petróleo estão a caminho, depois que os Emirados Árabes Unidos anunciaram que vão sair da OPEP, o que pode abalar a capacidade do cartel de regular os preços globais do cru. E a decisão pode embaralhar o equilíbrio de poder no Golfo Pérsico pelas próximas décadas.
O cenário mais recente do mercado de petróleo:
- O Brent, referência internacional, era negociado acima de US$ 114 nesta quarta-feira, acumulando alta de mais de 25% nos últimos oito pregões.
- O preço médio da gasolina nos EUA subiu para US$ 4,23 o galão, segundo a AAA.
- As possíveis consequências da saída dos Emirados: o movimento pode, com o tempo, levar a uma guerra de preços, argumenta Javier Blas, da Bloomberg Opinion.
“O mundo precisa de mais energia, o mundo precisa de mais recursos, e os Emirados queriam ficar livres de qualquer grupo”, disse Suhail Al Mazrouei, ministro de Energia do país, ao The Times na terça-feira.
Isso pode acelerar um redesenho do equilíbrio de forças na região. Um Emirados sem as amarras da OPEP pode ser uma má notícia para a Arábia Saudita, cuja influência dominante sobre as cotas de produção do cartel incomodou Abu Dhabi no passado. “É uma declaração de independência dos Emirados”, disse Kristin Diwan, pesquisadora sênior no Arab Gulf States Institute, organização de pesquisa em Washington, ao The Times.
O movimento também levanta questões sobre como Washington e Pequim devem tentar cortejar os Emirados como um ator mais poderoso no Golfo. Abu Dhabi é considerado aliado próximo dos EUA, mas também tem a China como importante parceira comercial.
LEITURA RÁPIDA
Negócios
- As conversas para combinar Pernod Ricard e Brown-Forman, dona do Jack Daniel’s, fracassaram; a Sazerac pode agora tentar comprar a Brown-Forman. (NYT)
- O Citi anunciou a contratação de Vis Raghavan, um banqueiro de ponta, como uma grande conquista. Três dias antes, o JPMorgan Chase teria informado a ele que estava fora do banco. (FT)
Política, políticas públicas e regulação
- A Meta violou leis da União Europeia ao não impedir que menores de 13 anos usassem Instagram e Facebook, concluiu o braço executivo do bloco, em mais um movimento da UE para apertar o cerco às redes sociais. (NYT)
- O Google teria desistido de participar de um concurso do Pentágono, no valor de US$ 100 milhões, para desenvolver tecnologia de enxame de drones autônomos, após uma revisão interna de ética. (Bloomberg)
O melhor do resto
- “Por que os melhores restaurantes de sushi nos deixam tão entediados — e sem dinheiro?” (NYT)
- Taylor Swift fala abertamente sobre seu lucrativo processo de composição. (NYT)
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