Projeção da XP é de resultados fracos da JBS no primeiro trimestre; veja por quê

Em relatório divulgado nesta quinta-feira (23), a XP Investimentos projeta que a JBS (BDR: JBSS32) pode apresentar um desempenho operacional mais fraco no primeiro trimestre de 2026 (1T26), com compressão de margens em quase todas as suas frentes de negócio.
De acordo com o relatório, a única exceção deve ser a unidade JBS Brasil, que tende a registrar melhora na comparação anual. Para o período, os analistas estimam uma receita líquida de R$ 112,6 bilhões, o que representa um recuo de 1% em relação ao ano anterior e de 8% na comparação trimestral.
Os BDRs (Brazilian Depositary Receipts, ou recibo de ativos negociados na B3) da JBS caíam 2,63%, a R$ 84,46, às 14h43 (horário de Brasília).
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O fluxo financeiro também deve ser impactado por uma queima de caixa significativa, próxima de R$ 3,2 bilhões, apesar dos analistas ressaltarem que esse movimento está alinhado com a sazonalidade do período. Já o Ebitda (Lucro antes de Juros, Impostos, Depreciação e Amortização) ajustado deve atingir R$ 5,8 bilhões, uma queda expressiva de 35% na base anual.
“Acreditamos que o primeiro trimestre deve marcar o piso dos resultados da companhia em 2026, e uma eventual fraqueza das ações pode abrir oportunidades à medida que ganhamos maior visibilidade sobre os ciclos de proteínas ao longo do ano”, diz o documento da XP.
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Desafios operacionais
O cenário para as operações internacionais da JBS é considerado desafiador, especialmente para a unidade USA Beef. Conforme a análise, a divisão deve reportar a menor margem de sua história para um primeiro trimestre, estimada em -3,0%, devido às condições desfavoráveis do ciclo pecuário norte-americano.
“Projetamos que a PPC reporte a margem mais fraca desde o 1T24”, diz relatório da XP, citando spreads pressionados e paralisações industriais após ampliações de capacidade.
No segmento de aves e processados, a Seara deve registrar uma redução de margens em linha com os padrões históricos de início de ano.
A XP aponta que, apesar de existir dificuldades no mercado brasileiro, os mercados externos continuam resilientes, o que ajuda a equilibrar o desempenho da unidade diante dos ventos contrários domésticos.
Visibilidade de mercado
Mesmo com as projeções negativas para 1T26, cujos resultados devem pesar sobre o valor das ações, os analistas veem janelas de oportunidade em caso de queda nos preços dos papéis.
A expectativa é que a clareza sobre os ciclos globais de proteínas aumente ao longo dos próximos meses, o que beneficia a recuperação da visibilidade sobre os números da empresa.
Outro fator que pode beneficiar a companhia é a possibilidade de uma listagem em índices nos Estados Unidos durante o segundo semestre de 2026. No momento, a XP mantém o monitoramento sobre a intensidade da recuperação do ciclo pecuário nos EUA.
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