Qual é a situação em Ormuz? Irã diz que superpetroleiro furou bloqueio americano

O Estreito de Ormuz, passagem responsável por cerca de um quinto do petróleo e gás natural negociados no mundo, tornou-se palco de uma disputa inédita entre dois bloqueios simultâneos e sobrepostos. De um lado, o Irã impede a navegação comercial internacional desde 28 de fevereiro. Do outro, os EUA disseram ter “implementado plenamente” seu próprio bloqueio aos portos iranianos nesta quarta-feira (15), após o fracasso das negociações de paz em Islamabade. No mesmo dia, o Irã afirmou ter furado o cerco americano.
A alegação iraniana
A agência de notícias Fars, ligada ao governo iraniano, reportou nesta quarta que um superpetroleiro iraniano com capacidade para cerca de 2 milhões de barris cruzou o estreito e chegou a águas iranianas com seu sistema de rastreamento ligado e “sem qualquer ocultação”, desafiando a ameaça do bloqueio americano. Não houve comentário imediato do Comando Central dos EUA sobre a informação.
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O que o bloqueio americano cobre
O Centcom afirmou que o bloqueio, em vigor desde as 11h de segunda-feira (horário de Brasília), se aplica a embarcações de todas as nações que entrem ou saiam de portos e áreas costeiras iranianas no Golfo Árabe e no Golfo de Omã. A medida envolve mais de 10 mil militares, mais de uma dezena de navios de guerra e dezenas de aeronaves. O comando ressalvou que não impedirá a navegação pelo estreito para embarcações com destino a portos não iranianos.
Os navios que foram barrados
Na terça-feira (14), um destróier americano interceptou dois petroleiros que haviam saído do porto iraniano de Chabahar, no Golfo de Omã, e os instruiu por rádio a retornar, segundo autoridade americana ouvida pela Reuters sob condição de anonimato. O Centcom informou que, no total, seis embarcações atenderam a ordens para reverter curso e retornar a portos iranianos desde o início do bloqueio. O comando afirmou que nenhum navio conseguiu passar o bloqueio em direção a portos iranianos.
Os navios que cruzaram sem problema
Nem todo trânsito pelo estreito está bloqueado. Na terça, ao menos três navios cruzaram Ormuz sem impedimento, pois não se dirigiam a portos iranianos. Entre eles estavam dois petroleiros sancionados pelos EUA, o Rich Starry e o Elpis, e o Panama-flagged Peace Gulf, com destino ao porto de Hamriyah, nos Emirados Árabes Unidos. Como nenhum tinha porto iraniano como destino, o bloqueio americano não se aplicava.
O caso do Rich Starry é emblemático do jogo de gato e rato em curso. O navio, de propriedade chinesa e sancionado pelos EUA por operar com o Irã, foi obrigado a fazer meia-volta no Golfo de Omã na segunda-feira, antes de tentar a travessia novamente na terça com êxito. Segundo a Lloyd’s List Intelligence, o petroleiro havia falsificado seu sistema de identificação automática entre 3 e 14 de abril, o que lhe teria permitido carregar carga iraniana de forma encoberta. Ao cruzar o estreito, registrou como ponto de origem a costa dos Emirados.
A rota alternativa imposta pelo Irã
Desde o início da guerra, o Irã redirecionou o tráfego para uma nova rota ao norte da ilha de Larak, distinta do corredor tradicional ao sul da ilha, alegando a presença de minas na rota original. A Guarda Revolucionária disse que qualquer embarcação que tente usar o corredor antigo será “incendiada”. Navios que transitam pelo Estreito de Ormuz, portanto, estão sujeitos a coordenação com a Marinha iraniana, independentemente do que determina o bloqueio americano, criando uma sobreposição de autoridades incompatíveis sobre a mesma passagem.
Os números do colapso do tráfego
Desde o início da guerra, apenas 279 navios cruzaram o estreito entre 28 de fevereiro e 12 de abril, segundo dados da Kpler, contra uma média de cerca de 100 embarcações por dia em tempos de paz, uma queda superior a 95%. Desde o cessar-fogo de 8 de abril, apenas 45 navios fizeram a travessia. Vinte e dois navios foram atacados no estreito ou arredores desde o início do conflito, segundo os mesmos dados de rastreamento.
O que vem a seguir
Analistas alertam que o bloqueio americano, embora operacionalmente viável no curto prazo, é tecnicamente um ato de guerra que exige comprometimento aberto e crescente de recursos navais. Ainda assim, Trump disse ao New York Post que uma nova rodada de conversas de paz “pode estar acontecendo nos próximos dois dias” em Islamabade. O cessar-fogo de duas semanas expira em 22 de abril.
(com Reuters, Fars e AFP)
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