Rali da Bolsa está concentrado em petróleo e “fundamentos não se espalharam”, diz BBA

Apesar da recuperação recente do Ibovespa, com o índice flertando os 200 mil pontos, a alta da Bolsa brasileira segue fortemente concentrada em poucos setores — especialmente o de petróleo e gás — e ainda carece de um suporte mais amplo dos fundamentos, segundo análise do Itaú BBA. O banco destaca que o avanço do índice tem sido impulsionado mais por fluxo de capital e momentum técnico do que por revisões positivas disseminadas de lucros.
De acordo com o relatório, as revisões de lucro para 2026 do Ibovespa avançaram 9,8% nos últimos três meses.
No entanto, ao excluir o setor de óleo e gás, esse movimento vira negativo, com queda de 1%. A abrangência dessas revisões também permanece limitada: apenas 42,9% das ações do índice tiveram revisões positivas de resultados no período — percentual que cai para 40,6% quando o setor energético é retirado da conta.
Essa concentração também aparece no desempenho do índice. Desde o início do conflito internacional entre Irã e EUA que pressionou os preços do petróleo, o Ibovespa acumula retorno de 4,9%, sendo que o setor de energia respondeu por 69,5% dessa performance. Sem petróleo e gás, a alta do índice teria sido de apenas 1,5%, evidenciando o peso desproporcional do setor no rali recente.
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Por outro lado, o banco aponta que o movimento de preços tem sido relativamente disseminado do ponto de vista técnico. O chamado breadth de momentum — que mede o percentual de ações negociadas acima de suas médias móveis de longo prazo — está em 77,9%, indicando uma participação ampla das ações na alta. Ainda assim, o Itaú BBA alerta que esse nível já se aproxima de patamares historicamente associados a mercados sobrecomprados.
O fluxo estrangeiro também tem sido um pilar importante para o desempenho da Bolsa. A abrangência de ações com entrada líquida de capital externo atingiu 66% em abril e 62,3% no acumulado do ano, após um mês de março mais concentrado. Petróleo e gás lideram com folga, mas bancos, shoppings e utilidades públicas também têm mostrado melhora na distribuição dos fluxos.
Em termos de valuation, o cenário é um pouco mais construtivo. Cerca de 67,5% das ações do Ibovespa ainda negociam abaixo de suas médias históricas de múltiplos de 10 anos, sugerindo que, apesar do rali recente, boa parte do mercado segue descontada. Setores como papel e celulose e saúde apresentam 100% de suas ações negociadas abaixo dessas médias, enquanto utilities é o único segmento com breadth de valuation inferior a 50%.
A combinação desses indicadores leva o Itaú BBA a classificar o momento do mercado como “levemente positivo”, mas com pontos claros de atenção. A ausência de uma melhora mais disseminada nas revisões de lucros indica que os preços podem estar se descolando dos fundamentos em parte significativa da Bolsa, o que aumenta a importância da seleção de ações.
Nesse contexto de dispersão entre preços, fundamentos e fluxo, o banco destaca ações como Multiplan (MULT3), Moura Dubeux (MDNE3), Orizon (ORVR3) e Petrobras PN (PETR4), que figuram entre os melhores desempenhos considerando simultaneamente valuation, revisões de resultados, fluxo estrangeiro e momentum técnico.
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