S&P 500 dispara apesar da tensão global — e pode não ter chegado ao topo

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S&P 500 dispara apesar da tensão global — e pode não ter chegado ao topo

O índice S&P 500, principal referência da bolsa americana, voltou a operar em níveis recordes mesmo após o conflito recente, no Oriente Médio. que abalou o cenário global. A explicação está na combinação entre fundos americanos que entraram na crise excessivamente protegidos e empresas que entregaram lucros bem acima do esperado.

A surpresa positiva veio principalmente da tecnologia. A fabricante de memórias Micron (MU) sozinha respondeu por mais da metade do crescimento de lucros das empresas do índice desde o início do conflito. Já as petroleiras, apesar do peso pequeno na composição da bolsa, dobraram ou triplicaram seus resultados, contribuindo para um avanço de 4% a 5% nas projeções de lucro.

A análise foi feita por Gustavo Campanha, gestor de ações globais da WHG, durante o programa Expert Talks. Ele participou ao lado de Fernando Fenolio, economista-chefe da gestora, em conversa conduzida pelo estrategista-chefe da XP, Fernando Ferreira, e pelo economista-chefe da casa, Caio Megale.

Campanha observou que fundos que seguem tendências de mercado de forma automática estavam vendidos no auge do conflito e ainda não recompraram toda a posição que poderiam ter.

A WHG aproveitou os momentos de tensão. No dia em que a bolsa americana chegou a cair 15% após anúncios de tarifas do presidente Donald Trump, o fundo da casa estava posicionado contra os Estados Unidos e protegeu o capital dos investidores.

Walsh no comando do Fed pode mudar regras do jogo

A conversa se voltou para a possível chegada de Kevin Warsh à presidência do Federal Reserve, o banco central americano.

Indicado por Trump com a missão clara de reduzir juros, Warsh enfrentou uma sabatina dura no Congresso e pode ter dificuldade para ser aprovado enquanto Trump não conseguir afastar do cargo o atual presidente da instituição, Jerome Powell, cujo mandato ainda está em vigor. 

Fenolio antecipou as duas mudanças centrais que Walsh tende a defender. A primeira é alterar a forma como o Fed analisa a economia, dando mais peso aos ganhos de produtividade que a inteligência artificial pode trazer no médio prazo.

A segunda — mais polêmica — é trocar o índice de inflação usado como referência para definir a política de juros.

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“Trocar a métrica de inflação que eu gosto de olhar tem que ser muito bem construído para não gerar uma sensação de oportunismo”, ponderou Fenolio.

Ele lembrou que algumas dessas medidas alternativas tendem a excluir justamente os bens afetados pelas tarifas, o que poderia distorcer a leitura da inflação num momento crítico e enfraquecer a credibilidade do banco central.

Mesmo com o esforço de Walsh, o economista avalia que cortes de juros são improváveis no curto prazo. A inflação ainda virá pressionada pelo petróleo, e o próprio Powell deve permanecer no comitê depois de deixar a presidência, funcionando como contrapeso.

A aposta da WHG é que reduções consistentes de juros nos Estados Unidos só devem se concretizar em 2027.

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