Startups: Itaú Ventures visa mineração cripto “limpa” em seu 3º aporte

OItaú Ventures segue seu ritmo de investimentos desde que dissolveu no ano passado a Kinea para tocar seu CVC dentro de casa. Agora, o veículo anunciou seu terceiro aporte, liderando uma série A na Minter, empresa especializada em infraestrutura para data centers para mineração de criptoativos.
A rodada, que não teve seu valor divulgado, contou também com a participação da Leste Group, da Legend Capital e de investidores individuais com atuação no setor. Este é o terceiro investimento do Itaú Ventures, cujos cheques costumam ficar na faixa dos R$ 20 milhões a R$ 50 milhões.
Fundada em 2023, a Minter foi fundada por executivos experientes nos setores de mineração digital, energia e mercado financeiro, com passagens por nomes como Hashdex, CleanSpark, ATL Data Centers e outros. O foco da companhia endereça um desafio básico dessas infraestruturas: o energético.
- Leia também: Nova estratégia do Itaú Asset libera acesso a fundos “fechados”
- Leia também: CVCs participam de 66 rodadas que movimentaram US$ 700 milhões em 12 meses
A tese da companhia parte de uma característica estrutural do sistema elétrico brasileiro. O país possui uma das matrizes energéticas mais renováveis do mundo, mas o rápido crescimento de fontes intermitentes (como solar e eólica) tem aumentado episódios de corte obrigatório de geração, conhecidos na indústria como curtailment.
A proposta da Minter é mitigar os impactos desses episódios por meio da instalação de data centers móveis junto às usinas renováveis afetadas por esses cortes. Por estarem no próprio ponto de geração, os DCs conseguem absorver a eletricidade que seria objeto de curtailment e podem ser desligadas rapidamente quando houver necessidade de injeção de energia na rede.
Conforme explica o CEO Stefano Sergole, a eletricidade excedente é convertida em poder computacional, monetizando-a através da mineração de criptomoedas. Com essa tese, antes de atrair o Itaú, a Minter já tinha levantado um cheque seed com os family offices Oikos e Luxor.
“Essa é uma ferramenta que inverte a lógica tradicional do setor elétrico. Em vez de levar energia até o consumidor, levamos o consumidor até o ponto de geração”, diz Stefano, que antes de liderar a Minter, foi um dos fundadores da Hashdex.
Uso dos recursos
Com a injeção de capital, a Minter que ampliar seu portfólio no Brasil. Atualmente, a companhia já tem em operação um projeto de 20 MW na cidade de Xique-Xique, no interior da Bahia.
O plano é ampliar agressivamente o número de estruturas contratadas, chegando a pelo menos o dobro da capacidade no fim deste ano e 500 MW em três anos – e o Itaú chega como um intermediário de peso para conectar a Minter com as grandes geradoras nacionais.
Contudo, além das oportunidades no território brasileiro, a startup está de olho no mercado norte-americano, onde infraestrutura de mineração digital vêm se integrado cada vez mais a data centers voltados a aplicações de alta performance, como treinamento de IA.
Segundo informações do próprio banco, este é o terceiro aporte desde a criação da Itaú Ventures, veículo que nasceu após a internalização do Kinea. Antes da Minter, o CVC já tinha divulgado investimentos na fintech Kanastra, feito logo no anúncio da nova estrutura. O outro aporte do veículo não foi divulgado.
Na visão de Phillippe Schlumpf, superintendente do Itaú Ventures, a rodada na Minter também abre espaço para o desenvolvimento de produtos e serviços ligados ao ecossistema de ativos digitais. Entre as possibilidades em estudo estão soluções de liquidação e custódia para os Bitcoins minerados, além da possibilidade de negociar novas categorias de ativos, de origem “limpa”.
“A tese da Minter combina dois vetores relevantes: a expansão da geração renovável e a crescente demanda por infraestrutura computacional. Com esses investimentos, buscamos apoiar uma solução que endereça o curtailment de forma flexível, próxima ao ponto de geração, com disciplina operacional e atenção a governança. Este movimento está em linha com o mandato do Itaú Ventures de investir em inovação estratégica com sinergia com os negócios do banco”, destaca o executivo.
Conteúdo produzido por Startups.
The post Startups: Itaú Ventures visa mineração cripto “limpa” em seu 3º aporte appeared first on InfoMoney.