Warren Buffett, Tim Cook e outros bilionários tiveram o mesmo emprego na infância

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Warren Buffett, Tim Cook e outros bilionários tiveram o mesmo emprego na infância

Muito antes de chegar ao topo da carreira, do IPO e da vida de bilionário, vários dos executivos mais conhecidos dos Estados Unidos tinham o mesmo horário para despertar antes do amanhecer e a mesma pilha de jornais esperando na calçada.

Todos começaram nos jornais, seja pedalando em suas rotas no escuro, jogando a edição mais recente na varanda ou correndo atrás dos clientes para cobrar pagamentos.

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Warren Buffett ganhou parte de seu primeiro dinheiro distribuindo o The Washington Post. Tim Cook acordava às 3 da manhã para entregar o Mobile Press Register, no Alabama. Isso ensinou a esses futuros executivos alguns dos valores que levaram até o topo das empresas.

A entrega de jornais ensina “princípios básicos e sólidos de negócios”, disse Ross Perot à Associated Press em 1995, citando habilidades como gerenciar estoque, cobrar pagamentos e cumprir horários todos os dias, faça chuva ou faça sol. O candidato presidencial de 1992 contou que começou a entregar jornais por volta dos 12 anos e os arremessava de cima de um cavalo em um bairro coberto de areia.

A entrega de jornais é hoje uma relíquia. A queda na circulação impressa e preocupações com trabalho infantil transferiram a função para adultos e para o serviço postal. Mas os executivos que tiveram essa experiência não a esqueceram — e muitos dizem que foi ali que aprenderam o essencial.

Aqui estão cinco executivos da Fortune 500 — além de algumas menções honrosas — que começaram distribuindo jornais.

Warren Buffett, Berkshire Hathaway

O “Oráculo de Omaha” começou a entregar o The Washington Post e o Washington Star aos 13 anos. Aos 14, já tinha várias rotas e ganhava US$ 175 por mês — mais do que alguns de seus professores, segundo a biografia de Buffett escrita por Alice Schroeder, The Snowball: Warren Buffett and the Business of Life (A Bola de Neve: Warren Buffett e o Negócio da Vida, em tradução literal).

Buffett, hoje com 95 anos, declarou seu primeiro imposto de renda naquele ano, deduzindo sua bicicleta e seu relógio como despesas de negócio, contou ao PBS NewsHour em 2017. Ele afirma que o trabalho ensinou lições que continuam válidas com o tempo.

“Você aprende muito sobre a natureza humana ao entregar jornais”, disse Buffett. “Por exemplo, você aprende que precisa pagar por eles todo mês — independentemente de os clientes pagarem você ou não. Você precisa cobrar.”

Buffett chegou a ser um dos maiores acionistas do jornal que um dia jogou nas portas das casas — e disse que até considerou comprá-lo quando foi colocado à venda em 2013.

O fundador da Amazon, Jeff Bezos, hoje é dono do The Washington Post. Buffett se aposentou como CEO da Berkshire Hathaway no fim de 2025 (ele ainda atua como presidente do conselho). Seu patrimônio é estimado em US$ 141 bilhões, segundo o Bloomberg Billionaires Index.

Tim Cook, Apple

O CEO da Apple, Tim Cook (que será substituído por John Ternus ainda este ano), conseguiu seu primeiro emprego aos 11 ou 12 anos, entregando o Mobile Press Register em Robertsdale, Alabama. O jornal encerrou sua edição impressa em 2023.

“Entregar jornais ajudou a iniciar minha educação universitária”, disse Cook, hoje com 65 anos, ao The Wall Street Journal, referindo-se ao fato de ter sido o primeiro da família a cursar uma faculdade.

Depois disso, ele “evoluiu para virar hambúrgueres” em um Tastee Freeze local, ganhando US$ 1,10 por hora, contou ao podcast Table Manners. Seu patrimônio é estimado em US$ 3 bilhões, segundo a Forbes.

Michael Dell, Dell Technologies

O futuro magnata dos PCs vendeu assinaturas do extinto Houston Post na adolescência e, discretamente, criou o modelo que viria a definir a Dell.

Em vez de fazer ligações frias, ele analisou registros de casamento e de novos moradores e enviou mala direta aos compradores mais prováveis, ganhando US$ 18 mil em um ano.

“Foi uma lição precoce de marketing direto, com certeza”, disse Dell no SXSW em 2024.

Walt Disney, The Walt Disney Co.

O futuro animador — e homem que viria a construir uma das maiores empresas de entretenimento do mundo — entregava o Kansas City Star e o Kansas City Times com seu irmão Roy Disney, a partir dos 9 anos.

“Quando eu tinha 9 anos, meu irmão Roy e eu já éramos empresários”, disse Disney, segundo um arquivo da própria empresa. “Tínhamos uma rota de jornais… entregando exemplares em uma área residencial todas as manhãs e todas as noites do ano, fizesse chuva, sol ou neve.”

Eles acordavam às 3h30, trabalhavam até a hora da escola e “faziam tudo de novo das quatro da tarde até a hora do jantar”.

Walt Disney morreu em 1966 e, na época, tinha um patrimônio estimado entre US$ 100 milhões e US$ 150 milhões, o que equivaleria hoje a cerca de US$ 1 bilhão a US$ 1,5 bilhão. Ele foi fundador e CEO de uma empresa que se tornou parte da Fortune 500.

Ross Perot, Electronic Data Systems

O bilionário texano e duas vezes candidato à presidência talvez tenha tido a rota mais cinematográfica de todas. Quando menino em Texarkana, Perot construiu do zero uma rota do Texarkana Gazette em uma área da cidade amplamente ignorada pelo jornal — e a percorria a cavalo, viajando 32 quilômetros por dia, contou à Fortune em 1968.

Como ele mesmo havia criado o território, negociou ficar com 70% do valor das assinaturas, em vez dos 30% padrão, e enfrentou o jornal quando este tentou reduzir sua participação posteriormente.

Em 1962, Perot fundou a Electronic Data Systems, que se tornou uma empresa da Fortune 500. A HP comprou a EDS em 2008 por US$ 13 bilhões. Perot morreu em 2019, com patrimônio estimado em cerca de US$ 4 bilhões.

Menções honrosas: sacos de lixo, turnos da madrugada e Big Macs

Nem todo CEO começou entregando jornais.

Mark Cuban começou aos 12 anos vendendo sacos de lixo de porta em porta para pagar por tênis de basquete, e Jeff Bezos trabalhou no turno da manhã como cozinheiro de fast food no McDonald’s durante o ensino médio.

A ex-CEO da PepsiCo, Indra Nooyi, trabalhou no turno da meia-noite às 5 da manhã como recepcionista no dormitório de Yale porque o pagamento era 50 centavos por hora maior, e a CEO da GM, Mary Barra, começou na própria montadora, aos 18 anos, como estudante estagiária inspecionando painéis de para-lamas na linha de montagem.

Embora tenham tido primeiros empregos diferentes, todos compartilharam lições semelhantes para a vida profissional: comparecer, ser pontual e estar lá todas as manhãs — mesmo quando há quase um metro de neve às 4 da manhã.

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